segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Inquietude

Se uma sociedade qualquer tivesse tentado realmente materializar a República de Platão ou a Utopia de Tomás Moro, odiaríamos hoje aqueles dois intelectuais tanto quanto odiamos Marx. Se Jesus Cristo, aliás, tem tanto prestígio, é porque ninguém (e especificamente os próprios católicos) faz o que o senhor preconizou.

A maior conquista da Filosofia foi a perda da arrogância. Não tanto o abandono da razão, mas o seu enriquecendo humilde (incluindo a razão religiosa, poética, sensual, sofredora, etc.) O pensamento, de facto, ilumina. Rasga a obscuridade, mostra a verdade do contexto, insinua as hipóteses de percurso: é o candeeiro na noite da pólis. Mas nenhuma luz obriga a seguir esta ou aquela direcção. A liberdade do homem perante o pensamento, perante qualquer pensamento, é o principal garante de uma acção com validade ética.

O Pensamento brilha: é o seu único poder.

2 comentários:

mig_domingues disse...

Mas, nós odiamos Marx?

Eu não, pelo menos. Se a sociedade preconizada por Marx deu no que deu, a teoria marxista continua a ser fulcral para a análise cultural. Nuca, por exemplo, o conceito de alienação foi tão útil.

Para mim, o ódio ao marxismo continua a ser um problema de superestrutura.

pedroludgero disse...

É por concordar um pouco contigo que escrevi este post...