segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Cultura

No imaginário clássico, muitas vezes as mulheres eram autoras materiais de actos magnânimos, e outras tantas vezes autoras morais de actos abjectos. Nunca as mulheres sujavam as próprias mãos com sangue maldito: o seu corpo seria demasiado casto para tais excessos.

Medeia é uma das primeiras figuras femininas a ter cometido, ela mesma, um hediondo crime. E parece-me que isto é uma das primeiras manifestações de feminismo. Explicando: é claro que a importância do feminismo é a atribuição da paridade de direitos entre os dois sexos (direito de voto, igualdade perante o trabalho, as mesmas liberdades e garantias, etc.). No entanto, no âmbito das representações culturais, foi necessário que a mulher também pudesse cometer o crime. Que ela também assumisse o mal: de forma física, pragmática, imediata. Que ela se libertasse de todos os preconceitos.

Mesmo assim, Medeia era uma feiticeira...

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