terça-feira, fevereiro 06, 2007

Confissão 17

Com 18 anos de idade, estava de tal modo em ponto morto automóvel, que tive de ser fortemente manobrado para tirar a carta de condução. E hoje dizem-me que ainda bem: o carrinho far-me-ia tanta falta...

Seja. No entanto, nunca me livrei da impressão de que a falta que esse carro hoje me faz, se deve em parte à própria contribuição do carro para esse estado de coisas (para esse círculo vicioso). Pois se eu não conduzisse, poderia ter construído a minha vida de outra maneira: viveria muito perto do emprego, habitaria o centro de uma cidade, escolheria aliás uma cidade bem servida de metropolitano, até talvez encontrasse uma outra profissão. Quem sabe.

O que eu sei é que agora realizo uma acrobacia que não me dá prazer, sou uma ameaça ecológica, ainda por cima incompetente (16 anos depois, ainda não sei estacionar bem), e sofro com a sensação de que, de cada vez que saio para a estrada, estou a pôr em risco não sei quantas vidas (a minha incluída).

Necessidade? Necedade?

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